Tão pequena e mesmo assim cresceu com o querer por coisas grandes, traça objetivos e vai em busca se interessa pela parte espiritual que a vida reserva. Só não entendia o porquê de algumas existências, lições que a vida lhe creditava cada dia, nunca passou despercebida desde o nascimento. Sua vocação pelo diferente, pelo novo era sempre tão constante, tão presente. Segunda filha de quatro irmãos e a única que teve o privilégio de nascer sozinha, assim pôde ver o mundo da sua maneira, e todavia mesmo tendo que conviver com a solidão no seu caminhar Deus selecionou os melhores amigos a melhor família que ela encontraria na vida. A única que não foi amparada como os outros. Sua irmã mais velha tem um ano e sete meses de diferença de idade e foi do hospital aos braços dos avós. Só se lembra do seu nascimento com o que contaram a ela em dias menos dolorosos. Assim que nasceu foi entregue a um pensionato e depois teve muitos lares até completar cinco anos e ir a escola. Ouvia de seu avô que só estava ali com sua família de sangue por ingressar aos estudos, (era como se pagasse sua estadia com aquilo e ela só tinha cinco anos).Complicado ou não sempre sustentou sua personalidade ia até o fim com suas palavras e sua forma de pensar e isso sempre lhe custava umas palmadas a mais. Diariamente era presenteada com frases do tipo:
- Você é uma peste!
- Você não vale nada!
- Ninguém gosta de você!
Mas ela era apenas uma criança e alguns não poderiam ver aquilo, porque talvez nunca tivera sua infância ou apenas por serem assim de sua própria natureza, Tanta era a negatividade ao seu redor, que ela acreditava com cada molécula do seu corpo que poderia ser diferente, nunca ostentou mostrar aos outros que podia e sim a si mesma que existia vida após todo o caos em que vivia.
Aos dez anos perdeu seu avô, mas foi presenteada com sua mãe, descobriu aos onze anos de idade que havia saido de um ventre, e que seu pai era um viciado desconhecido, ainda assim restava um grão de areia que dizia que todos aqueles fantasmas poderiam ir embora de uma vez por todas. Mas nada disso acontecia o destino trouxe um trauma maior e marcante mais que qualquer palmada forte ou grito de terror que ja fazia parte dos seus dias. Conhecer essa desconhecida com o título de mãe não foi tão receptivo quanto abrir a porta e olhar o risco do raio de sol no chão em uma manhã ensolarada, estava mais pra conhecer uma tempestade com furacões e tsunames vindo de longe.Difícil é vivenciar esse momento ainda mesmo assim se escreve...
Ela e uma amiga brincava de boneca enquanto sua avó rezava na igreja do bairro, sua "nova" mãe aparece.
Mãe - Vai embora Giulia (amiga).
Filha - Não ela não vai. A casa é da minha avó!
Mãe pega Giulia pelo braço - Vai agora, a brincadeira acabou!
Filha pega Giulia pelo outro braço - Ela fica, e você não manda aqui, não manda em mim, não manda em nada porque não é a minha mãe, minha mãe é minha avó.
Mãe procura ao seu redor, com aquele olhar marejado de ódio e a primeira coisa que encontra é uma corrente dessas que se tranca o portão com voltas e voltas e sem hesitar agride a filha até que ela não tenha mais forças para pedir que pare, e suas últimas palavras são: "Pelo o amor de Deus".
Até os quinze anos esse era o filme de terror que acompanhava essa garotinha todos os dias no ir e vir do sol. Tinha medo, entrava em desespero quando tocava o sino da escola que avisava a hora de voltar para casa, voltar para o caos. Sente orgulho da sua avó que é forte, uma espécie de muralha, sua única revolta era a omissão, nunca ia até o fim com suas palavras, tinha toda a lei nas mãos e entregava aos pobres filhos de espiritos para regrarem o que não tinha mais conserto.Ela queria amparar a garotinha em dias de pânico, mas era como se estivesse amordaçada, impedida de entoar seu grito mais forte e impetuoso.
Sempre acreditou que poderia ser a pessoa que sua dura realidade dizia cegamente todos os dias que nunca iria ser, trabalhando, ocupando sua mente precoce com coisas que a levou só na faculdade a entender. Teve que estudar suas perspectivas de vida porque ja não tinha a quem recorrer se algo desse errado, uma e a mais ousada foi a visão, em sua cabeça criou o papel e projetou seu futuro longe dali, depois buscou conhecer o lado ilusório da coisa e transformou isso em uma saudável obsessão á sua realidade e sua vida se tornou possível e hoje caminha longe de qualquer absurdo ditado pelos pobres de espíritos. Mesmo com toda essa magia que falando assim parece que foi num estalar de dedos, ela ainda não fala disso sem ir ao chão, é forte como uma leoa e ao mesmo tempo mansa como uma gata domesticada, eterna é sua busca pelo equilibrio e mesmo assim é grata, não fechou a porta do passado porque senão nunca teria coragem de escrever, mas venceu desafios, ja fala sem chorar, escreve com entendimento, e confessa:
"É difícil olhar para trás e não soluçar, pensar em família e ter isso pra contar".
Teve muitos amigos e os bons ainda continuam sendo seus amigos, hoje procura escolher seus pensamentos como a roupa que veste, e sempre em resposta ao negativo esmurra sua própria mão afirmando que vai ser diferente. As vezes queria que as coisas fossem mais flexíveis, mas não, tem que ser dura e cortante como o fio da navalha, por isso Deus á elevou de uma maneira que a fez chegar ao Vaticano e recordar sua história ao invés de vangloriar-se, viu que estava lá para fazer o que a raça humana tem todos os dias o dever.... Perdoar.

eu fico sem chão e o universo fica pequeno quando vejo que pessoas como voce existem...no fundo beeem no fundo do meu coração existe uma casinha e vc vai morar dentro pro resto dos meus dias..."Inspiração dos meus sonho não quero acordar..."
ResponderExcluirMe orgulho de ter no meu caminho alguém como você, que mesmo tendo vivenciado tudo isso continua sorrindo. Sou suspeita pra falar mas voce é uma guerreira que merece viver muitas coisas boas que por mais dificil que seja a vida sempre a um novo caminho a seguir mesmo que seja sozinha.
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