Seja como for a compatibilidade humana é um troço misterioso. E não só a compatibilidade humana, entre os passáros também, li um estudo do naturalista Willian Jordan e por isso quis escrever sobre isso que até foge um pouco da dinâmica que vem sendo o meu blog, esse adorável livrinho que se chama O divórcio entre as gaivotas. no qual ele explica que até entre as gaivotas, espécie de pássaro que se acasala para a vida toda, exite uma taxa de divórcio de 25%. Isso significa que um quarto de todos os casais de gaivotas fracassam no primeiro relacionamento, a ponto de terem que se separar devido as diferenças inconsiliáveis. Ninguém faz idéia de porque esses pássaros específicos não se entendem, mas pudera, bicam-se pela comida, brigam para saber quem vai construir o ninho, brigam para saber quem vai guardar os ovos, quem vai dar orientações de voo aos filhotes. Seja como for esses pobres casais de gaivotas desistem e vão procurar outros cônjugues. E aí, vem a surpresa: em geral o segundo casamento é perfeitamente feliz e aí muitas dessas gaivotas se acasalam para a vida inteira.
Quando li isso pensei que seria a última a ter condições de julgar o por que esses pássaros briguentos se sentiram atráidos no primeiro casório, e assim com cérebros do tamanho de uma noz eles também encontram problemas de compatibilidade que parecem se basear, como explicou Jordan num " Fundamento de diferenças psicobiológicas básicas", que até hoje nenhum cientista conseguiu definir. Assim como n[os humanos os pássaros não são capazes de se tolerar durante muitos anos. É simples assim ou complexo assim. A vezes deixamos o outro maluco; outros, não.
É sensato que eu afirme aqui que se estou escrevendo sobre isso, furando a barreira que impede esse blog de falar de outras coisas a não ser sobre minhas viagens é porque eu estou vivenciando isso ou algo perto disso. O bom é que sou segura que o futuro é promissor, talvez até saberia o fim dessa vivência que hoje aperta os corações de ambos feito uma broca na ponta de uma furadeira pronta para entrar em uso. Por não depender de nós e sim de situações, fico assim , buscando estudos, lendo compulsivamente tudo que se trata de relacionamento, mas nem tudo isso adianta, o meu caso eu tenho sempre que contar com o acaso, ele sim me leva para onde o coração ja queria ir faz algum tempo. Aquele romance que começou na praça do afeto com o desejo, onde dois estranhos se encontraram e já se queriam sem mesmo se conhecer, hoje virou um forno autolimpante, parte da sujeira que fica com o separar desses corações são limpos sem deixar resíduos, não querendo ser hipócrita, mas o meu fornoautolimpante trabalha por conta da minha maturidade, minha tolerância, meu entendimento de que as coisas vão e podem acontecer. Nesse momento o tempo não pulsa ao meu lado, só me vem e recorda que meu futuro é promissor, e o outro coração sabe tanto disso quanto eu, as razões pelo qual nem sempre podemos juntar os corações eu prefiro hesitar em falar mesmo porque podem ter mais do que eu fosse enumerar. Sei que vou vê-lo daqui um tempo e espero estar mais introspectiva como era antes, mais estável como não era e mais cuidada. E quando voltar quero ter adaptado a minha generosa vida da maneira mais possível em torno de qualquer ser humano basicamente decente que ás vezes pode ser um pentelho suportável.
Há momentos em que consigo ver o espaço que me separa dele e quem tem um nome, e que talvez sempre nos separará, apesar do meu anseio vitalício de me completar pelo amor dele, apesar de todo o meu esforço, no decorrer desse período em que fiquei fora para manter o que por todo instante pensava que fosse para mim, não sei explicar ao certo, o que sei é que com ele me sinto aperfeiçoada e sei enxergar qundo dou um ou dois passos na vida por isso.É como se com ele eu sempre tivesse uma chance para o sucesso balançando bem ali na onda de nossas diferenças.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
Indo além da mente, cheguei além de Roma.
Roma, mais precisamente Castel Sant' Angelo.
Assim escreveu Liz Gilbert: " Este lugar é um dos mais tranquilos e solitários de Roma"
Me permitir a dar ás boas vindas, e conhecer essa tal tranquilidade, que de certa forma se transformou em silêncio com o caminhar ali. Ouvir o silêncio que pairava naquele lugar era a maneira mais fácil de poder entregar toda minha audição somente aos ouvidos e vozes que vinham de mim - de dentro de mim, é, eu pude me ouvir, dar uma chance para me entender. O que o lugar oferece é incomum com a música que se escuta pelas ruas de Roma, carros, búzinas, trânsito, pessoas, comércio, todos com suas vozes graves e seus timbres pertubadores ao mesmo tempo e toda essa orquestra com a música "confusão de sons", rodeavam o mausoléu tomado por ruinas. Não é difícil olhar para frente de Sant'Angelo e imaginar quando a noite chega o quão estranhamente deve ser pertubador, a pilha de tijolos grande e circular, se apresentou á mim, através de um guia em papel, deixado por alguém. A caminho de Roma, sai dizendo que iria ao Coliseu. Mas a energia italiana quando se mistura com o pensar de estar próximo de Roma te transporta e faz seus passos mudarem o trajéto, sem que você perceba, isso instantâneamente.
Conta-se que foi construído, para guardar restos mortais do Imperador Otaviano Augustus, vou tentar ser o mais breve possível, para falar da história do museu ( que hoje funciona como um museu), quero contar como foi a história que ele me faz escrever hoje.
"Com a queda do Império, toda Roma foi lápidada friamente pelos Bárbaros, assim ficou conhecida como a a "Velha Roma" e toda sua população voltaria quase 20 séculos depois para mudar esse rótulo de velha. Diretamente falando - O mausoléu glorioso, foi tomado por ladrões, que roubaram as cinzas do imperador, em seguida transformado em vinhedo, depois num jardim renascentista, praça de tourada, depósito de fogos de artifícios e sala de concertos. Óbvio que foi restaurado para tudo isso. Em 1930 Mussolini confiscou, e restaurou para novamente transforma-lo em jazigo de restos mortais seus e de sua família, e mas uma vez nada disso vingou. Hoje o lugar está aberto ao público, como disse virou um museu onde se paga nove euros para entrar.
O caminho do destino - do meu destino e de quem ali puder ir, não estar em apenas ler os panfletos da entrada, fotografar ou talvez usar a visita para querer saber da história do lugar, ( isso eu fiz também). Mas como sempre tento me identificar com os lugares por onde ando, buscando em mim alguma deficiência ou estravagância que possa ser remediada. Essa visita era o espaço que precisava nesse meu giro pelo Mediterrâneo para me relacionar comigo mesma, me mover mesmo estando ali no lugar que me silênciava a voz, mas não os pensamentos e a busca por eles. Todo caminho acariciava ruínas na parede, apontava algo novo aos meus olhos, era como se conversasse com cada pedrinha e areia que passado décadas ainda estão ali vivas em sua matéria. De maneira amistosa, estava me purificando, limpando toda uma obsessão que talvez só viesse á tona depois (e veio, mas já foi), porque eu busquei o controle e exatamente no momento do silêncio pude agarrar o pensamento chamado força que passava por ali dentro da minha busca, tudo o que esse lugar me ofereceu eu guardei numa caixinha e na hora certa abro para me sentir amparada, posso tirar da caixinha sentimentos de todos os tipos que possam imaginar, não digo sentimentos ruins, eles não são impossíveis, porém não moram nessa caixinha. O que me dava a direção não era a lógica do caminho e sim o que eu buscava com esse mergulho dentro de mim e no final descobri que há um anseio tão grande por existir em mim e dentro dele mora o que eu sou, o que posso superar para me manter de pé como o Sant' Angelo. Hoje meses depois de ter voltado e só escrever isso agora, é porque sinto que dei um tapa na cara da obsessão e mandei ela de volta.
Volto na Liz quando ela disse: " As ruínas são os presentes."
Olho para os meses atrás e me coloco na cena onde olhava toda Roma, no topo do Castel Sant'Angelo, dando um giro de 360º, me sentindo leve após ter saído do Vaticano com um outro dever cumprido (http://iluhminada.blogspot.com/2011/08/fisica-da-busca-chegou-ao-vaticano.html ) penso exatamente como a escritora Liz se comparou quando esteve por lá e eu também viajo nessa visão. Talvez minha vida não foi e nem tem sido dura e caótica, antes ao ser contadada despertava um sentimento de pena nas pessoas e isso é mal, hoje a mesma história é ouvida e o que sinto que recebo é o encontro do meu perdão com o orgulho de quem me ouve. Nunca possuir o que me davam, talvez porque o que me era dado eu deixava tão nas mãos de quem dava e com isso não destruir as possibilidades de me relacionar com os momentos onde estive.
Lembro da saída do Sant'Angelo já com os pés cansados, e que não eram escutados por mim, pois só tinha tempo para finalizar o meu relacionamento comigo mesma. E o Sant, deixou forte em mim exatamente o que ele foi e permanece sendo a séculos. Sim, ontem eu posso ter sido um glorioso momento á alguém - mas amanhã posso virar um depósito de fogos de artifícios. O que importa é saber como vou estar quando contar a minha história no real momento.
Hoje estou bem, em perfeito estado de solitude, como ja dizia um livro que li de um amigo, mas não me recordo o nome do título agora. Estar em estado de solitude é estar constantemente encantado consigo mesmo. E não é fácil ficar 24 horas por dia em solitude, Ufa!!! Mas e você depois de ler este relato qual o seu estado?
Assim como Liz deu pitaco com suas lindas e sábias palavras, finalizo com mais uma pitada de Liz Gilbert seguida de mim.
" É PRESCISO ESTAR PREPARADO PARA TUMULTUOSAS E INTERMINAVÉIS ONDAS DE TRANSFORMAÇÃO" Liz Gilbert.
" DEVEMOS ESTAR PREPARADOS PARA OLHARES DE TRANSFORMAÇÃO" Luh Fernandes.
| Fim do giro de 360º. |
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